segunda-feira, 30 de março de 2020

O eterno e o efêmero


Quanto tempo vamos viver por aqui? Uma média de 70, 80, 90 anos? Alguns pouquíssimos chegarão ou passarão dos 100. Mas, o que significa 100 anos diante da eternidade? Parece muito pouco, não? Na verdade, chega a ser insignificante.

Quando pensamos na eternidade e tentamos analisar nossa vida por uma certa distância fica mais fácil enxergar como tudo aqui é tão pequeno e passageiro. Não que dizer que não seja real – nossas alegrias, tristezas, conquistas, fracassos e medos são reais. Mas, se olharmos para o que Deus preparou para nós na eternidade, todo o resto perde força.
Quando pensamos no eterno, o efêmero perde valor.

Mesmo cuidado de nós diariamente, em todas as nossas necessidades, quando Deus enviou Jesus ele estava cuidando da nossa eternidade, não apenas do nosso cotidiano. E em João 3:16 fica claro o quanto o seu plano eterno foi e é perfeito.

“... deu seu Filho Unigênito...”

Em seu plano perfeito, Deus deu o Seu Filho Único. Ele não deu o filho de outra pessoa. Ele não exigiu esse sacrifício de outra pessoa. Ele deu seu próprio filho, pois era necessário e fundamental, somente dessa forma poderia dar certo e não havia espaço para tentativa e erro. Somente Ele seria capaz de tamanho sacrifício, somente Jesus seria valeria a vida de todos no mundo. Ele não exigiu algo tão complexo de um ser humano simples. Um plano divino precisou de alguém divino para ser executado: Jesus Cristo. Ao contrário de outros deuses que exigiam ou exigem sacrifícios humanos de crianças, Deus sacrificou o seu único filho. Isso é amor. Saber que Jesus me amou muito anos de eu existir, quando eu ainda era um plano de Deus, é ao mesmo tempo confuso e reconfortante. Eu sei que mesmo que ninguém nunca me amasse, eu posso crer no amor incomparável de Deus por mim. Jesus morreu para a salvação de milhões de pessoas. Mas, gosto de acreditar que mesmo que eu fosse a única pessoa precisando de salvação, ainda assim ele teria ido para a cruz por mim. E por você.

“... para que todo aquele o que nele crer [como Salvador]...”

Não basta crermos que Jesus existiu. Muitos acreditam nisso, sabem que Ele andou pelo mundo, acreditam nas evidências de sua passagem por aqui. Mas, muitos não acreditam que n’Ele como Salvador. Acham, apenas, que Ele era especial, muito sábio, muito carismático. Mas Jesus foi e é muito mais do que isso. Ele é o filho de Deus, nosso Salvador, que deu sua própria vida – ninguém a tirou dEle, ninguém o matou – Ele deu sua própria vida para nos comprar. Pagou por nós com seu sangue.

 Quando eu era mais jovem eu amava alguns super-heróis. Achava o máximo alguém ter superpoderes e usar isso para punir bandidos e salvar os inocentes. Mesmo sendo cristã desde sempre – antes católica e depois evangélica, demorei muitos anos para entender que eu já tinha o meu próprio super-herói: Jesus. Ele era real, imortal e obedeceu ao plano maravilhoso de Deus que só daria certo se ele se entregasse para morrer por mim – não uma morte qualquer, mas uma morte de cruz, reservada para os piores pecadores. Ele abriu mão da sua glória e simplesmente obedeceu.

“... não pereça, mas tenha a vida eterna...”

Mas, por que tudo isso? Para que não perecêssemos, ou seja, para que não morrêssemos, mas vivêssemos para sempre. Para que tivéssemos uma vida com Ele na eternidade.

Acontece que muitos de nós estamos passando por problemas tão graves hoje, que não temos nenhum tempo ou ânimo para pensar na eternidade. Desemprego, dívidas, falência, divórcio, intrigas no trabalho, solidão, enfermidades, luto, vícios, frustrações... Como pensar na eternidade se a minha vida, nesse momento, está uma confusão? Quem está preocupado com a eternidade? Eu preciso de paz e soluções agora.

Quando passo por problemas, gosto de me refugiar em outra promessa maravilhosa que Jesus nos deixou: “Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; mas tenham bom ânimo! Eu venci o mundo”. E quando encontro paz nessas promessas eu me lembro de que estou aqui de passagem, todos nós estamos. Viver apreensiva com o hoje me faz esquecer do eterno.

Claro que eu quero ter conforto hoje, prosperidade hoje, amor hoje, vitórias hoje... Mas, o hoje dura muito pouco. E se as aflições de hoje tirarem meus olhos da eternidade isso será um grande erro. Jesus enfrentou tudo e muito mais do que muitos de nós enfrentamos ou enfrentaremos para provar que é possível. E Ele enfrentou isso não apenas pela nossa existência terrena, mas para que pudéssemos ter uma vida eterna ao lado do nosso Pai.

Por outro lado, não podemos usar a nosso compromisso com a eternidade como desculpa para termos uma vida medíocre e desleixada aqui. Por várias vezes eu enfrente problemas tão irritantes que me vejo tentada a abandonar a luta e usar como desculpa algo do tipo: “Ah, deixa pra lá! O importante é a eternidade. Não preciso disso... eu só preciso ir para o céu”. É preciso equilíbrio, discernimento que só o Espírito Santo pode nos dar. Buscar a eternidade não pode ser desculpa para abandonarmos as batalhas que se colocam em nosso caminho. Só é preciso buscar sabedoria em Deus para escolhermos quais batalhas realmente valem a pena serem lutadas. Equilíbrio é a palavra.

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