segunda-feira, 30 de março de 2020

O eterno e o efêmero


Quanto tempo vamos viver por aqui? Uma média de 70, 80, 90 anos? Alguns pouquíssimos chegarão ou passarão dos 100. Mas, o que significa 100 anos diante da eternidade? Parece muito pouco, não? Na verdade, chega a ser insignificante.

Quando pensamos na eternidade e tentamos analisar nossa vida por uma certa distância fica mais fácil enxergar como tudo aqui é tão pequeno e passageiro. Não que dizer que não seja real – nossas alegrias, tristezas, conquistas, fracassos e medos são reais. Mas, se olharmos para o que Deus preparou para nós na eternidade, todo o resto perde força.
Quando pensamos no eterno, o efêmero perde valor.

Mesmo cuidado de nós diariamente, em todas as nossas necessidades, quando Deus enviou Jesus ele estava cuidando da nossa eternidade, não apenas do nosso cotidiano. E em João 3:16 fica claro o quanto o seu plano eterno foi e é perfeito.

“... deu seu Filho Unigênito...”

Em seu plano perfeito, Deus deu o Seu Filho Único. Ele não deu o filho de outra pessoa. Ele não exigiu esse sacrifício de outra pessoa. Ele deu seu próprio filho, pois era necessário e fundamental, somente dessa forma poderia dar certo e não havia espaço para tentativa e erro. Somente Ele seria capaz de tamanho sacrifício, somente Jesus seria valeria a vida de todos no mundo. Ele não exigiu algo tão complexo de um ser humano simples. Um plano divino precisou de alguém divino para ser executado: Jesus Cristo. Ao contrário de outros deuses que exigiam ou exigem sacrifícios humanos de crianças, Deus sacrificou o seu único filho. Isso é amor. Saber que Jesus me amou muito anos de eu existir, quando eu ainda era um plano de Deus, é ao mesmo tempo confuso e reconfortante. Eu sei que mesmo que ninguém nunca me amasse, eu posso crer no amor incomparável de Deus por mim. Jesus morreu para a salvação de milhões de pessoas. Mas, gosto de acreditar que mesmo que eu fosse a única pessoa precisando de salvação, ainda assim ele teria ido para a cruz por mim. E por você.

“... para que todo aquele o que nele crer [como Salvador]...”

Não basta crermos que Jesus existiu. Muitos acreditam nisso, sabem que Ele andou pelo mundo, acreditam nas evidências de sua passagem por aqui. Mas, muitos não acreditam que n’Ele como Salvador. Acham, apenas, que Ele era especial, muito sábio, muito carismático. Mas Jesus foi e é muito mais do que isso. Ele é o filho de Deus, nosso Salvador, que deu sua própria vida – ninguém a tirou dEle, ninguém o matou – Ele deu sua própria vida para nos comprar. Pagou por nós com seu sangue.

 Quando eu era mais jovem eu amava alguns super-heróis. Achava o máximo alguém ter superpoderes e usar isso para punir bandidos e salvar os inocentes. Mesmo sendo cristã desde sempre – antes católica e depois evangélica, demorei muitos anos para entender que eu já tinha o meu próprio super-herói: Jesus. Ele era real, imortal e obedeceu ao plano maravilhoso de Deus que só daria certo se ele se entregasse para morrer por mim – não uma morte qualquer, mas uma morte de cruz, reservada para os piores pecadores. Ele abriu mão da sua glória e simplesmente obedeceu.

“... não pereça, mas tenha a vida eterna...”

Mas, por que tudo isso? Para que não perecêssemos, ou seja, para que não morrêssemos, mas vivêssemos para sempre. Para que tivéssemos uma vida com Ele na eternidade.

Acontece que muitos de nós estamos passando por problemas tão graves hoje, que não temos nenhum tempo ou ânimo para pensar na eternidade. Desemprego, dívidas, falência, divórcio, intrigas no trabalho, solidão, enfermidades, luto, vícios, frustrações... Como pensar na eternidade se a minha vida, nesse momento, está uma confusão? Quem está preocupado com a eternidade? Eu preciso de paz e soluções agora.

Quando passo por problemas, gosto de me refugiar em outra promessa maravilhosa que Jesus nos deixou: “Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; mas tenham bom ânimo! Eu venci o mundo”. E quando encontro paz nessas promessas eu me lembro de que estou aqui de passagem, todos nós estamos. Viver apreensiva com o hoje me faz esquecer do eterno.

Claro que eu quero ter conforto hoje, prosperidade hoje, amor hoje, vitórias hoje... Mas, o hoje dura muito pouco. E se as aflições de hoje tirarem meus olhos da eternidade isso será um grande erro. Jesus enfrentou tudo e muito mais do que muitos de nós enfrentamos ou enfrentaremos para provar que é possível. E Ele enfrentou isso não apenas pela nossa existência terrena, mas para que pudéssemos ter uma vida eterna ao lado do nosso Pai.

Por outro lado, não podemos usar a nosso compromisso com a eternidade como desculpa para termos uma vida medíocre e desleixada aqui. Por várias vezes eu enfrente problemas tão irritantes que me vejo tentada a abandonar a luta e usar como desculpa algo do tipo: “Ah, deixa pra lá! O importante é a eternidade. Não preciso disso... eu só preciso ir para o céu”. É preciso equilíbrio, discernimento que só o Espírito Santo pode nos dar. Buscar a eternidade não pode ser desculpa para abandonarmos as batalhas que se colocam em nosso caminho. Só é preciso buscar sabedoria em Deus para escolhermos quais batalhas realmente valem a pena serem lutadas. Equilíbrio é a palavra.

sábado, 28 de março de 2020

Você precisa mesmo ou simplesmente deseja?



“O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.” – Filipense 4:19

Durante muitos anos, sempre que eu ia orar pedindo algo a Deus eu pedia tudo o que queria, desejava e buscava ansiosamente. Na verdade, até hoje isso às vezes escorrega, mas hoje eu percebo rapidinho e já mudo o rumo da oração. Mas, qual o problema em orar pedindo o que queremos? Na verdade, nenhum. A questão é que precisamos saber diferenciar o que queremos e desejamos daquilo que realmente precisamos, necessitamos. Sim... há uma grande diferença. Também precisamos ter humildade para sujeitar aquilo que desejamos debaixo da vontade de Deus. Hoje, quando eu oro apresentando meus desejos e vontade, o Espírito Santo direciona minhas orações para que eu busque submeter os meus desejos à vontade e planos de Deus – lembra da perfeita e agradável vontade do Pai? É isso.

E aí quando lemos Filipenses 4:19 damos de cara com Paulo afirmando 4 coisas maravilhosas:

1º - “O meu Deus...”

Paulo não se refere a qualquer deus. Ele não afirma “O seu deus suprirá...”, porque ele não pode falar pelo deus dos outros, talvez ele não tivesse a certeza de que todos ali estavam seguindo o seu Deus ou de que todos que um dia viriam a ter acesso a essa palavra também seguiam o Deus Altíssimo. Então ele deixa claro sua confiança no Deus dele. Sutil, não é mesmo?

Aquele que é o Alfa, o Ômega, o Princípio e Fim, esse nos deixa essa promessa de suprir todas as nossas necessidades. Não devemos perder tempo buscado nossos suprimentos em outro deus, inclusive no dinheiro, que é o deus de muita gente. Aquilo que nos supre está muito além do que o dinheiro pode comprar. O que não quer dizer que é errado desejar uma vida abastada, confortável – só precisamos entender que isso não é tudo.

O que realmente nos supre é aquela Paz que excede todo entendimento, é uma vida familiar amorosa e que mesmo em momentos difíceis sabe o caminho a seguir. O que realmente nos supre é a convicção de que estamos vivendo o propósito de Deus para nossas vidas, que estamos posicionados no centro da sua perfeita e agradável vontade.

2º - “...suprirá todas as necessidades de vocês...”

Ele não diz que Deus satisfará nossos caprichos, desejos e vontades. Primeiro o que precisamos, depois o que desejamos. Então é errado pedir o que eu quero? Não acredito que a palavra “errado” seja a mais apropriada. Na verdade, penso que precisamos ter consciência de que o compromisso de Deus é com nossas necessidades – Ele não nos deixará faltar, não quer que passemos por privações.

Mas, como Pai, Ele também gosta de nos dar presentes. Sou mãe e amo surpreender minha filha com mimos, com coisas que eu sei que ela gosta, apesar de não precisar. Acredito que o segredo está em como colocamos nossas necessidades e os nossos desejos em nossas orações. Achar que podemos levar Deus a acreditar que precisamos muito de algo, quando na verdade não passa de desejo é algo bem imaturo. Ele não se deixa enganar. E quando nos dá o que queremos não é porque nós o dobramos, é porque Ele resolveu nos presentear, num reflexo maravilhoso da sua graça e favor.

Mas, ao invés de nos entristecermos com essa promessa (Poxa, só vou ter o que preciso, nenhum agradinho a mais?!), convido você a se alegrar com a garantia de que nada vai nos faltar, pois esse é um compromisso de Deus para conosco. E o melhor: não é porque merecemos, é por causa do Sangue de Jesus, da sua obra na cruz que nos deu livre acesso à presença, graça e favor do Pai. E isso é maravilhoso!

Em vários momentos da minha vida eu passei por alguns perrengues financeiros e sempre que eu pensava “Agora, estou frita... acabou!”, em todos esses momentos Deus me puxava do fundo do mar e me fazia andar novamente sobre as águas. Às vezes começava a semana com R$ 20,00 na certeira e não tinha ideia de como ia abastecer, comer... e chegava ao final da semana com os mesmos R$ 20,00 e totalmente suprida. Pequenos milagres surgiam de todos os lados me trazendo não o que eu queria, mas o que eu necessitava, suprimentos em todas as áreas. Aleluia!

E quando eu caía na tentação de reclamar “Deus, porque estou passando por isso??!!”, eu podia sentir o sussurro do Espírito Santo: “Você está sendo aperfeiçoada. Vai passar. Nada vai faltar. Tão somente creia.” E eu ficava em paz novamente.

3º - “... de acordo com as suas gloriosas riquezas...”

Minha imaginação viaja na maionese quando o assunto é sonhar com o que Deus pode me dar, com o que eu desejaria ter – e nem estou falando apenas de coisas materiais. E aí Paulo vem e fala que Deus quer nos suprir “de acordo com suas gloriosas riquezas”. Você consegue imaginar o que seriam essas gloriosas riquezas de Deus??? Então eu me dou conta de que minha imaginação limitada jamais terá o alcance do que isso significa. De acordo com suas gloriosas riquezas é algo que vai muito além do que temos a capacidade de sonhar.

1 Coríntios 2:9 só confirma o que eu disse acima: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”. Tudo bem que aqui talvez ele esteja falando apenas da nossa vida na glória. Mas, creio que isso também acontece aqui. Quantas vezes tive a oportunidade de dizer: “Nossa, eu nem esperava tanto... Deus fez muito mais do que eu podia imaginar!!!”.

É porque Deus tem seu próprio padrão de qualidade, muito superior ao que nossa imaginação alcança. Por isso às vezes me sinto até meio ridícula pedindo algumas coisas prá Deus. Imagino que Ele deve olhar e pensar: “Afff, lá vem a Patrícia de novo tentando me limitar pedindo essas merrecas... se ela soubesse o que eu tenho prá ela. Espírito Santo, me ajuda lá... abre os olhos espirituais dessa menina”. Aí o Espírito Santo vem, com toda sua paciência e sussurra: “Para que já tá ficando feio...”. 

Então eu oro: “Senhor, isso é o que eu gostaria, é o que a minha mente pequena consegue conceber. Mas, os tão sonhos são maiores do que os meus, faz em mim conforme a tua vontade. Prepara-me para receber e alcançar tudo o que o Senhor tem para mim, pois eu só quero o que for da tua vontade. Quero tudo que eu possa alçar em Cristo. Eu não mereço nada, mas pelo Sangue de Jesus eu desejo tudo e confio em Ti para cumprir em mim a Tua vontade!”.

4º - “... em Cristo Jesus.”

Tem uma música linda que diz “Nunca foi sobre nós, nem sobre o que podemos fazer, é tudo sobre Você, tudo para Você... Jesus!”. Amo!!! Jesus é o caminho que nos leva para o Pai, para suas promessas, para sua graça, para o seu favor. Maravilhoso, Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Deus pode nos suprir em todas as nossas necessidades, nos abençoar com todas as suas riquezas gloriosas... em Cristo Jesus. Ele é a ponte para termos acesso à todas as maravilhosas promessas de Deus para nós.

Nesse ponto podemos pensar que seria interesseiro da nossa porta buscar Jesus apenas para ter acesso ao que Deus tem para nós. Eu gosto de pensar que, para muitos, essa aproximação até seja interesseira, porque essa é a nossa natureza humana falha e Deus não tem expectativas grandiosas ao nosso respeito. Ele nos criou e nos conhece melhor do que ninguém. Mas, acontece que algo que talvez até tenha começado “por interesse” dá lugar a uma experiência incomparável. Somos fisgados por uma promessa, mas o que experimentamos na nossa relação com Jesus abre nossos olhos de tal forma que passamos a entender que não há lugar melhor do que a presença de Deus, nada nos traz maior deleite do que estar enxertado em Cristo. Ele se torna genuinamente nosso melhor amigo e queremos sua companhia 24 horas por dia, 7 dias por semana, 12 meses por ano.

Sabe aquela história da pessoa que se aproxima de outra por interesse e, de repente, descobre que aquela pessoa é muito mais do que ela tem? Jesus é isso numa proporção infinitamente maior.

Então, não se culpe se você se descobrir buscando Jesus “apenas” porque quer algo. Ele conhece seu coração, suas motivações e não vai julgar você. Ele quer você com Ele, de qualquer jeito. E não se surpreenda no dia em que você desejar a presença dEle simplesmente porque não consegue mais viver longe dele, independente do que Ele possa de dar, mas somente pelo que Ele é. Você vai querer Ele perto de você em todo tempo, em todo lugar... “na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê”.

quarta-feira, 25 de março de 2020

“Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma”. – Salmos 94:19




A ansiedade é um sentimento que nos assalta nos momentos mais imprevisíveis. Por muitas vezes, sequer nos damos conta de que aquele nó na garganta ou peso no fundo do peito trata-se de ansiedade. Problemas no trabalho, dificuldades nos relacionamentos, enfermidades, dívidas, solidão, filhos rebeldes... muitos são os motivos que nos trazem ansiedade e, em alguns casos, sentimos ansiedade sem nem ao menos saber o porquê, só sabemos que há um vazio ou um barulho que não deixa nosso coração se acalmar, algo que realmente domina nosso íntimo.

Eu sou uma pessoa muito ansiosa e isso já me trouxe inúmeros problemas. Já meti os pés pelas mãos em centenas de situações, transformei problemas corriqueiros em guerras enormes pelo simples fato de sucumbir ao sentimento de imediatismo que me gera tanta ansiedade. Sabe aquela coisa que querer resolver tudo no momento, de não contar até 10, de achar que precisamos tomar as rédeas de tudo? Quanto sofrimento!

Acontece que ao contrário do que pode parecer não precisamos enfrentar a ansiedade sozinhos. Quando ela nos domina precisamos nos lembrar de que existe um consolo que pode trazer alívio a nossa alma. Antes de subir definitivamente aos céus, Jesus disse que iria para o Pai, mas nos deixaria uma Consolador – o Espírito Santo. Em Salmos 94:19, o rei Davi já mostrava que tinha intimidade com o consolo que o Espírito Santo, e somente ele, seria capaz de nos dar. Ele próprio já havia experimentado esse maravilhoso consolo.

Jesus não disse que passaríamos pela Terra sem sentir ansiedade. Alias, nos dias de hoje, mesmo os cristãos mais centrados passam por situações de ansiedade. A diferença está na forma como lidam com a ansiedade: buscam refúgio no consolo do Espírito Santo e aguçam seus ouvidos espirituais para ouvir o doce sussurro que nos traz paz, alívio e serenidade. Em João 14:27, Jesus nos presenteia com uma promessa sublime: “Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou a como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo”. 

Quando buscamos consolo no Espírito Santo, temos a possibilidade de experimentar um tipo de paz que vai além do nosso entendimento. Mesmo que os problemas continuem, eles perdem o poder de nos causar ansiedade pois somos preenchidos com uma paz capaz de inquietar as pessoas que estão a nossa volta e não entendem como podemos passar por crises tão sérias e não surtar. É essa paz que não nos deixa surtar. É esse consolo que não nos deixa ser devorado pela ansiedade que os problemas provocam.

Olhar para um problema só faz com que ele pareça ainda maior do que ele é e nos deixa ainda mais ansiosos. Tirar os olhos do problema e colocar em Jesus, no seu poder e nas suas promessas eternas enche nossa alma de alívio, nos mergulha num mar de paz que irá renovar e fortalecer a nossa fé. E é dessa fé que precisamos para mover a mão de Deus em nosso favor, para nos posicionarmos debaixo da sua graça e proteção.

Veja que é um efeito em cadeia... buscamos consolo nos Espírito Santo, Ele nos traz alívio, esse alívio nos enche de paz e essa paz renova a nossa fé, que irá nos posicionar onde jamais deveríamos ter saído: o centro do graça, do favor e da perfeita vontade de Deus para nós.

Permaneça nesse lugar de alívio, de paz, de graça e de favor. E mesmo quando a ansiedade rondar a sua vida, ela não encontrará brechas para se instalar.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Deus transforma seus erros em milagres – Parte #1



Abraão e Sara receberam uma ordem e promessa maravilhosas de Deus: deveriam deixar o lugar onde moravam com seus parentes e deveriam seguir para o lugar que Deus designara e lá seriam pais de uma grande nação. Por vivermos numa época em que nenhum casal tem a pretensão de querer ser pais de uma grande nação, talvez não consigamos – num primeiro momento – compreender a grandeza dessa promessa. Se hoje muitos casais optam, inclusive, por não terem filhos, na época de Abraão, ter muitos filhos era sinal de benção, prosperidade, saúde e poder. Ter muitos filhos era a garantia de dar continuidade à linhagem da família, de ter herdeiros que poderiam cuidar e expandir os negócios da família. Enfim: ter muitos filhos era, sim, uma grande promessa.

Porém, essa promessa só se cumpriu quando Abraão tinha 100 anos e Sara tinha 90 anos. Desde o momento em que saíram do meio dos seus parentes e seguiram a promessa de Deus, passaram-se 25 anos! Você tem ideia do que é isso? Qual o maior tempo que você já esperou para receber uma promessa de Deus? O que você faria se soubesse que algo pelo qual você anseia muito hoje só chegará às suas mãos daqui a 25 anos?

E, para testar ainda mais a fé de Abraão e Sara, o milagre que ambos esperavam dependia, ainda, de um fator biológico. Naquela época, algumas coisas eram muito diferentes, mas outras eram exatamente como hoje e uma delas era o fato de que as mulheres também entravam na menopausa. Quando Sara recebeu a promessa de que seria mãe de uma grande nação ela já tinha 70 anos, ou seja, já não era mais uma jovem, seu relógio biológico não estava a seu favor. Mas, o que dizer quando 5, 15, 20 anos se passaram e nada acontecia? Eu não sei você, mas eu certamente acharia que tinha escutado errado de Deus. Pensaria que Deus havia se enganado ou desistido de me abençoar.

Talvez Sara tenha pensado da mesma forma e foi por isso que ela resolveu “ajudar” Deus. Naquela época e cultura era comum que os homens também tomassem para si outras mulheres além de suas esposas oficiais, eram chamadas de concubinas. E quando 10 anos se passaram desde que Abraão e Sara foram para a terra que Deus lhes reservou ela cansou de esperar e pediu a Abraão que tomasse sua serva Agar e a engravidasse.

Gênesis 16:1-16
Sarai, a mulher de Abrão, não lhe tinha dado filhos. Ela possuía uma escrava egípcia, que se chamava Agar. Um dia, Sarai disse a Abrão: — Já que o Senhor Deus não me deixa ter filhos, tenha relações com a minha escrava; talvez assim, por meio dela, eu possa ter filhos.Abrão concordou com o plano de Sarai, e assim ela lhe deu Agar para ser sua concubina. Isso aconteceu quando já fazia dez anos que Abrão estava morando em Canaã. Abrão teve relações com Agar, e ela ficou grávida. Quando descobriu que estava grávida, Agar começou a olhar com desprezo para Sarai, a sua dona. Aí Sarai disse a Abrão: — Por sua culpa Agar está me desprezando. Eu mesma a entreguei nos seus braços; e, agora que sabe que está grávida, ela fica me tratando com desprezo. Que o Senhor Deus julgue quem é culpado, se é você ou se sou eu!Abrão respondeu: — Está bem. Agar é sua escrava, você manda nela. Faça com ela o que quiser.Aí Sarai começou a maltratá-la tanto, que ela fugiu. Mas o Anjo do Senhor a encontrou no deserto, perto de uma fonte que fica no caminho de Sur, e perguntou: — Agar, escrava de Sarai, de onde você vem e para onde está indo?— Estou fugindo da minha dona — respondeu ela.Então o Anjo do Senhor deu a seguinte ordem: — Volte para a sua dona e seja obediente a ela em tudo.E o Anjo do Senhor disse também: “Eu farei com que o número dos seus descendentes seja grande; eles serão tantos, que ninguém poderá contá-los. Você está grávida, e terá um filho, e porá nele o nome de Ismael, pois o Senhor Deus ouviu o seu grito de aflição. Esse filho será como um jumento selvagem; ele lutará contra todos, e todos lutarão contra ele. E ele viverá longe de todos os seus parentes.”Então Agar deu ao Senhor este nome: “O Deus que Vê”. Isso porque ele havia falado com ela, e ela havia perguntado a si mesma: “Será verdade que eu vi Aquele que Me Vê?” É por isso que esse poço, que fica entre Cades e Berede, é chamado de “Poço Daquele que Vive e Me Vê”.Agar deu um filho a Abrão, e ele pôs no menino o nome de Ismael. Abrão tinha oitenta e seis anos quando Ismael nasceu.
Na cabeça de Sara, aquela era a única forma de tornar a promessa uma realidade e dar o filho herdeiro que Abraão tanto desejava. Essa decisão se revelou um grande erro.
Erro porque revelou a fragilidade de fé de ambos – e isso não é uma crítica, pelo contrário. Quantos de nós não teria feito o mesmo ou talvez algo pior?

Erro porque Sara não levou em consideração que, ao engravidar de seu amo, Agar poderia achar-se melhor que sua senhora e desprezá-la por sua esterilidade. E foi exatamente isso que aconteceu.

Erro porque, mesmo sendo filho de seu pai com uma serva, Ismael também era herdeiro de Abraão e, na esfera humana, tinha direito a tanto quanto qualquer outro filho que Abraão viesse a ter. Isso certamente causaria uma divisão entre os herdeiros que viessem e foi exatamente o que aconteceu. Até hoje os descentes de Ismael e Isaque brigam entre si. Ismael deu origem ao povo árabe e Isaque deu origem ao povo de Israel.

Erro porque colocaram uma criança no mundo num contexto de dor, frustração, inveja, angústia e essa criança certamente não seria amada como deveria e isso, provavelmente, traria consequências futuras.

Quantos erros podemos colher de uma decisão impensada, leviana e impulsiva?

Quantas lágrimas podemos derramar quando decidimos e agimos na certeza de que precisamos fazer algo além de orar, entregar, esperar e confiar?

Quanto arrependimento podemos colher quando semeamos rebeldia e autossuficiência?

Felizmente, para nossa vitória, podemos sempre recorrer a Deus para nos ajudar a reverter as consequências de nossos erros. É claro que não há como apagar algumas coisas como se elas jamais tivessem acontecido. Na verdade, quanto mais grave for o erro, maiores serão as consequências que teremos que administrar. Mas, sempre podemos contar com a direção, a graça, o amor e o poder de Deus para nos ajudarem nessa missão. Deus não nos poupa de respondermos pelas consequências dos nossos atos, mas passar por isso podendo contar com seu auxílio e favor é, com certeza, muito melhor.

Mas, então, voltando a Abraão e Sara, qual o milagre que pôde ser providenciado a partir do erro que eles cometeram quando resolveram agir fora do tempo de Deus, apressando – ou achando que poderiam apressar – o cumprimento da promessa de seus herdeiros?
Esse milagre pôde ser contemplado três gerações depois!

Abrão foi pai de Ismael (seu primogênito e filho de Agar) e Isaque, o filho da promessa de Deus. Isaque foi pai de Esaú e Jacó. Jacó, que teve seu nome mudado por Deus para Israel, foi pai de 12 filhos, sendo que os dois últimos – José e Benjamim, foram os únicos que ele teve com Raquel, seu grande amor e que morreu ao dar a luz ao caçula. Apesar de amar todos os seus filhos, Israel nunca escondera sua preferência pelos filhos que teve com Raquel, principalmente por José.

O amor e a preferência de Israel por José despertaram ódio e ressentimentos em seus outros filhos mais velhos. Quando o jovem tinha dezessete anos, seu pai o envio para encontrar com seus irmãos que haviam saído para pastorear ovelhas. De longe seus irmãos mais velhos o viram e, juntos, planejaram matá-lo. Quando José se aproximou, seus irmãos despiram-lhe da túnica longa e colorida que seu pai havia lhe dado de presente e o lançaram em um poço vazio e sem água, até que decidissem sobre o que fariam com ele.
Ao se assentarem para comer, passava pelo local uma caravana de ismaelitas. Foi então que Judá, um dos irmãos, convenceu os demais a venderem José como escravo para os ismaelitas, ao invés de o matarem.

Os ismaelitas, você já deve estar desconfiado, eram os descendentes de Ismael, filho primogênito de Abraão e que fora concebido com consequência da desobediência de Sarah, que resolveu “acelerar o processo” de ter um filho. É emocionante acompanharmos o quanto o amor e o favor de Deus nos acompanham desde sempre. Um erro, cometido três gerações atrás, é convertido em um livramento que seria decisivo para o povo de Deus.

A saga de José, que por si só já renderia uma outra mensagem, teve início a partir de sua venda como escravo aos ismaelitas, esses o levaram para o Egito onde foi revendido como escravo para Potifar, oficial que era capitão da guarda de faraó. Na sequência dos fatos, José foi acusado injustamente por tentar violentar a mulher de Potifar e, por isso, foi enviado para uma prisão onde ficavam os presos do rei.

Mas o Senhor sempre esteve com José e na prisão ele teve a oportunidade de decifrar o significado dos sonhos de dois servos diretos de faraó: o chefe dos padeiros e o chefe dos copeiros. Dois anos depois, o chefe dos copeiros lembrou-se de José quando o faraó teve um sonho que o deixou muito abalado e que ninguém consegui decifrar. José foi levado à presença do governante do Egito e, em poucos segundos, sua sorte mudou completamente: ele tornou-se o segundo homem mais poderoso do Egito, a nação mais poderosa daquele período.

E quando a fome veio e assolou toda a terra por 7 anos, o povo de Deus só sobreviveu porque o Senhor havia levantado José para ser o primeiro ministro sobre todo o império egípcio. Quando olhamos para trás, vemos claramente que Deus transformou o erro de Sara em um livramento que preservaria a existência do seu povo, muitos anos depois.

Assim, não importa qual o erro que você tenha cometido. Você deverá arcar com as consequências, e talvez elas sejam assustadoras num primeiro momento. Mas, você não está sozinho. Entregue sua vida ao Senhor, aceite Jesus como Salvador da sua vida e creia que nosso Deus é grande e poderoso o suficiente para transformar seu erro em milagre! Tão somente creia e tome posse dessa palavra.

O eterno e o efêmero

Quanto tempo vamos viver por aqui? Uma média de 70, 80, 90 anos? Alguns pouquíssimos chegarão ou passarão dos 100. Mas, o que significa...