sexta-feira, 26 de julho de 2019

Deus transforma seus erros em milagres – Parte #1



Abraão e Sara receberam uma ordem e promessa maravilhosas de Deus: deveriam deixar o lugar onde moravam com seus parentes e deveriam seguir para o lugar que Deus designara e lá seriam pais de uma grande nação. Por vivermos numa época em que nenhum casal tem a pretensão de querer ser pais de uma grande nação, talvez não consigamos – num primeiro momento – compreender a grandeza dessa promessa. Se hoje muitos casais optam, inclusive, por não terem filhos, na época de Abraão, ter muitos filhos era sinal de benção, prosperidade, saúde e poder. Ter muitos filhos era a garantia de dar continuidade à linhagem da família, de ter herdeiros que poderiam cuidar e expandir os negócios da família. Enfim: ter muitos filhos era, sim, uma grande promessa.

Porém, essa promessa só se cumpriu quando Abraão tinha 100 anos e Sara tinha 90 anos. Desde o momento em que saíram do meio dos seus parentes e seguiram a promessa de Deus, passaram-se 25 anos! Você tem ideia do que é isso? Qual o maior tempo que você já esperou para receber uma promessa de Deus? O que você faria se soubesse que algo pelo qual você anseia muito hoje só chegará às suas mãos daqui a 25 anos?

E, para testar ainda mais a fé de Abraão e Sara, o milagre que ambos esperavam dependia, ainda, de um fator biológico. Naquela época, algumas coisas eram muito diferentes, mas outras eram exatamente como hoje e uma delas era o fato de que as mulheres também entravam na menopausa. Quando Sara recebeu a promessa de que seria mãe de uma grande nação ela já tinha 70 anos, ou seja, já não era mais uma jovem, seu relógio biológico não estava a seu favor. Mas, o que dizer quando 5, 15, 20 anos se passaram e nada acontecia? Eu não sei você, mas eu certamente acharia que tinha escutado errado de Deus. Pensaria que Deus havia se enganado ou desistido de me abençoar.

Talvez Sara tenha pensado da mesma forma e foi por isso que ela resolveu “ajudar” Deus. Naquela época e cultura era comum que os homens também tomassem para si outras mulheres além de suas esposas oficiais, eram chamadas de concubinas. E quando 10 anos se passaram desde que Abraão e Sara foram para a terra que Deus lhes reservou ela cansou de esperar e pediu a Abraão que tomasse sua serva Agar e a engravidasse.

Gênesis 16:1-16
Sarai, a mulher de Abrão, não lhe tinha dado filhos. Ela possuía uma escrava egípcia, que se chamava Agar. Um dia, Sarai disse a Abrão: — Já que o Senhor Deus não me deixa ter filhos, tenha relações com a minha escrava; talvez assim, por meio dela, eu possa ter filhos.Abrão concordou com o plano de Sarai, e assim ela lhe deu Agar para ser sua concubina. Isso aconteceu quando já fazia dez anos que Abrão estava morando em Canaã. Abrão teve relações com Agar, e ela ficou grávida. Quando descobriu que estava grávida, Agar começou a olhar com desprezo para Sarai, a sua dona. Aí Sarai disse a Abrão: — Por sua culpa Agar está me desprezando. Eu mesma a entreguei nos seus braços; e, agora que sabe que está grávida, ela fica me tratando com desprezo. Que o Senhor Deus julgue quem é culpado, se é você ou se sou eu!Abrão respondeu: — Está bem. Agar é sua escrava, você manda nela. Faça com ela o que quiser.Aí Sarai começou a maltratá-la tanto, que ela fugiu. Mas o Anjo do Senhor a encontrou no deserto, perto de uma fonte que fica no caminho de Sur, e perguntou: — Agar, escrava de Sarai, de onde você vem e para onde está indo?— Estou fugindo da minha dona — respondeu ela.Então o Anjo do Senhor deu a seguinte ordem: — Volte para a sua dona e seja obediente a ela em tudo.E o Anjo do Senhor disse também: “Eu farei com que o número dos seus descendentes seja grande; eles serão tantos, que ninguém poderá contá-los. Você está grávida, e terá um filho, e porá nele o nome de Ismael, pois o Senhor Deus ouviu o seu grito de aflição. Esse filho será como um jumento selvagem; ele lutará contra todos, e todos lutarão contra ele. E ele viverá longe de todos os seus parentes.”Então Agar deu ao Senhor este nome: “O Deus que Vê”. Isso porque ele havia falado com ela, e ela havia perguntado a si mesma: “Será verdade que eu vi Aquele que Me Vê?” É por isso que esse poço, que fica entre Cades e Berede, é chamado de “Poço Daquele que Vive e Me Vê”.Agar deu um filho a Abrão, e ele pôs no menino o nome de Ismael. Abrão tinha oitenta e seis anos quando Ismael nasceu.
Na cabeça de Sara, aquela era a única forma de tornar a promessa uma realidade e dar o filho herdeiro que Abraão tanto desejava. Essa decisão se revelou um grande erro.
Erro porque revelou a fragilidade de fé de ambos – e isso não é uma crítica, pelo contrário. Quantos de nós não teria feito o mesmo ou talvez algo pior?

Erro porque Sara não levou em consideração que, ao engravidar de seu amo, Agar poderia achar-se melhor que sua senhora e desprezá-la por sua esterilidade. E foi exatamente isso que aconteceu.

Erro porque, mesmo sendo filho de seu pai com uma serva, Ismael também era herdeiro de Abraão e, na esfera humana, tinha direito a tanto quanto qualquer outro filho que Abraão viesse a ter. Isso certamente causaria uma divisão entre os herdeiros que viessem e foi exatamente o que aconteceu. Até hoje os descentes de Ismael e Isaque brigam entre si. Ismael deu origem ao povo árabe e Isaque deu origem ao povo de Israel.

Erro porque colocaram uma criança no mundo num contexto de dor, frustração, inveja, angústia e essa criança certamente não seria amada como deveria e isso, provavelmente, traria consequências futuras.

Quantos erros podemos colher de uma decisão impensada, leviana e impulsiva?

Quantas lágrimas podemos derramar quando decidimos e agimos na certeza de que precisamos fazer algo além de orar, entregar, esperar e confiar?

Quanto arrependimento podemos colher quando semeamos rebeldia e autossuficiência?

Felizmente, para nossa vitória, podemos sempre recorrer a Deus para nos ajudar a reverter as consequências de nossos erros. É claro que não há como apagar algumas coisas como se elas jamais tivessem acontecido. Na verdade, quanto mais grave for o erro, maiores serão as consequências que teremos que administrar. Mas, sempre podemos contar com a direção, a graça, o amor e o poder de Deus para nos ajudarem nessa missão. Deus não nos poupa de respondermos pelas consequências dos nossos atos, mas passar por isso podendo contar com seu auxílio e favor é, com certeza, muito melhor.

Mas, então, voltando a Abraão e Sara, qual o milagre que pôde ser providenciado a partir do erro que eles cometeram quando resolveram agir fora do tempo de Deus, apressando – ou achando que poderiam apressar – o cumprimento da promessa de seus herdeiros?
Esse milagre pôde ser contemplado três gerações depois!

Abrão foi pai de Ismael (seu primogênito e filho de Agar) e Isaque, o filho da promessa de Deus. Isaque foi pai de Esaú e Jacó. Jacó, que teve seu nome mudado por Deus para Israel, foi pai de 12 filhos, sendo que os dois últimos – José e Benjamim, foram os únicos que ele teve com Raquel, seu grande amor e que morreu ao dar a luz ao caçula. Apesar de amar todos os seus filhos, Israel nunca escondera sua preferência pelos filhos que teve com Raquel, principalmente por José.

O amor e a preferência de Israel por José despertaram ódio e ressentimentos em seus outros filhos mais velhos. Quando o jovem tinha dezessete anos, seu pai o envio para encontrar com seus irmãos que haviam saído para pastorear ovelhas. De longe seus irmãos mais velhos o viram e, juntos, planejaram matá-lo. Quando José se aproximou, seus irmãos despiram-lhe da túnica longa e colorida que seu pai havia lhe dado de presente e o lançaram em um poço vazio e sem água, até que decidissem sobre o que fariam com ele.
Ao se assentarem para comer, passava pelo local uma caravana de ismaelitas. Foi então que Judá, um dos irmãos, convenceu os demais a venderem José como escravo para os ismaelitas, ao invés de o matarem.

Os ismaelitas, você já deve estar desconfiado, eram os descendentes de Ismael, filho primogênito de Abraão e que fora concebido com consequência da desobediência de Sarah, que resolveu “acelerar o processo” de ter um filho. É emocionante acompanharmos o quanto o amor e o favor de Deus nos acompanham desde sempre. Um erro, cometido três gerações atrás, é convertido em um livramento que seria decisivo para o povo de Deus.

A saga de José, que por si só já renderia uma outra mensagem, teve início a partir de sua venda como escravo aos ismaelitas, esses o levaram para o Egito onde foi revendido como escravo para Potifar, oficial que era capitão da guarda de faraó. Na sequência dos fatos, José foi acusado injustamente por tentar violentar a mulher de Potifar e, por isso, foi enviado para uma prisão onde ficavam os presos do rei.

Mas o Senhor sempre esteve com José e na prisão ele teve a oportunidade de decifrar o significado dos sonhos de dois servos diretos de faraó: o chefe dos padeiros e o chefe dos copeiros. Dois anos depois, o chefe dos copeiros lembrou-se de José quando o faraó teve um sonho que o deixou muito abalado e que ninguém consegui decifrar. José foi levado à presença do governante do Egito e, em poucos segundos, sua sorte mudou completamente: ele tornou-se o segundo homem mais poderoso do Egito, a nação mais poderosa daquele período.

E quando a fome veio e assolou toda a terra por 7 anos, o povo de Deus só sobreviveu porque o Senhor havia levantado José para ser o primeiro ministro sobre todo o império egípcio. Quando olhamos para trás, vemos claramente que Deus transformou o erro de Sara em um livramento que preservaria a existência do seu povo, muitos anos depois.

Assim, não importa qual o erro que você tenha cometido. Você deverá arcar com as consequências, e talvez elas sejam assustadoras num primeiro momento. Mas, você não está sozinho. Entregue sua vida ao Senhor, aceite Jesus como Salvador da sua vida e creia que nosso Deus é grande e poderoso o suficiente para transformar seu erro em milagre! Tão somente creia e tome posse dessa palavra.

O eterno e o efêmero

Quanto tempo vamos viver por aqui? Uma média de 70, 80, 90 anos? Alguns pouquíssimos chegarão ou passarão dos 100. Mas, o que significa...