Abraão e Sara receberam uma ordem e promessa
maravilhosas de Deus: deveriam deixar o lugar onde moravam com seus parentes e
deveriam seguir para o lugar que Deus designara e lá seriam pais de uma grande
nação. Por vivermos numa época em que nenhum casal tem a pretensão de querer
ser pais de uma grande nação, talvez não consigamos – num primeiro momento –
compreender a grandeza dessa promessa. Se hoje muitos casais optam, inclusive,
por não terem filhos, na época de Abraão, ter muitos filhos era sinal de
benção, prosperidade, saúde e poder. Ter muitos filhos era a garantia de dar
continuidade à linhagem da família, de ter herdeiros que poderiam cuidar e
expandir os negócios da família. Enfim: ter muitos filhos era, sim, uma grande
promessa.
Porém, essa promessa só se cumpriu
quando Abraão tinha 100 anos e Sara tinha 90 anos. Desde o momento em que
saíram do meio dos seus parentes e seguiram a promessa de Deus, passaram-se 25
anos! Você tem ideia do que é isso? Qual o maior tempo que você já esperou para
receber uma promessa de Deus? O que você faria se soubesse que algo pelo qual
você anseia muito hoje só chegará às suas mãos daqui a 25 anos?
E, para testar ainda mais a fé de
Abraão e Sara, o milagre que ambos esperavam dependia, ainda, de um fator
biológico. Naquela época, algumas coisas eram muito diferentes, mas outras eram
exatamente como hoje e uma delas era o fato de que as mulheres também entravam
na menopausa. Quando Sara recebeu a promessa de que seria mãe de uma grande
nação ela já tinha 70 anos, ou seja, já não era mais uma jovem, seu relógio
biológico não estava a seu favor. Mas, o que dizer quando 5, 15, 20 anos se
passaram e nada acontecia? Eu não sei você, mas eu certamente acharia que tinha
escutado errado de Deus. Pensaria que Deus havia se enganado ou desistido de me
abençoar.
Talvez Sara tenha pensado da mesma
forma e foi por isso que ela resolveu “ajudar” Deus. Naquela época e cultura
era comum que os homens também tomassem para si outras mulheres além de suas
esposas oficiais, eram chamadas de concubinas. E quando 10 anos se passaram
desde que Abraão e Sara foram para a terra que Deus lhes reservou ela cansou de
esperar e pediu a Abraão que tomasse sua serva Agar e a engravidasse.
Gênesis
16:1-16
Sarai, a mulher de Abrão, não lhe tinha dado filhos. Ela possuía uma escrava egípcia, que se chamava Agar. Um dia, Sarai disse a Abrão: — Já que o Senhor Deus não me deixa ter filhos, tenha relações com a minha escrava; talvez assim, por meio dela, eu possa ter filhos.Abrão concordou com o plano de Sarai, e assim ela lhe deu Agar para ser sua concubina. Isso aconteceu quando já fazia dez anos que Abrão estava morando em Canaã. Abrão teve relações com Agar, e ela ficou grávida. Quando descobriu que estava grávida, Agar começou a olhar com desprezo para Sarai, a sua dona. Aí Sarai disse a Abrão: — Por sua culpa Agar está me desprezando. Eu mesma a entreguei nos seus braços; e, agora que sabe que está grávida, ela fica me tratando com desprezo. Que o Senhor Deus julgue quem é culpado, se é você ou se sou eu!Abrão respondeu: — Está bem. Agar é sua escrava, você manda nela. Faça com ela o que quiser.Aí Sarai começou a maltratá-la tanto, que ela fugiu. Mas o Anjo do Senhor a encontrou no deserto, perto de uma fonte que fica no caminho de Sur, e perguntou: — Agar, escrava de Sarai, de onde você vem e para onde está indo?— Estou fugindo da minha dona — respondeu ela.Então o Anjo do Senhor deu a seguinte ordem: — Volte para a sua dona e seja obediente a ela em tudo.E o Anjo do Senhor disse também: “Eu farei com que o número dos seus descendentes seja grande; eles serão tantos, que ninguém poderá contá-los. Você está grávida, e terá um filho, e porá nele o nome de Ismael, pois o Senhor Deus ouviu o seu grito de aflição. Esse filho será como um jumento selvagem; ele lutará contra todos, e todos lutarão contra ele. E ele viverá longe de todos os seus parentes.”Então Agar deu ao Senhor este nome: “O Deus que Vê”. Isso porque ele havia falado com ela, e ela havia perguntado a si mesma: “Será verdade que eu vi Aquele que Me Vê?” É por isso que esse poço, que fica entre Cades e Berede, é chamado de “Poço Daquele que Vive e Me Vê”.Agar deu um filho a Abrão, e ele pôs no menino o nome de Ismael. Abrão tinha oitenta e seis anos quando Ismael nasceu.
Na cabeça de Sara, aquela era a única
forma de tornar a promessa uma realidade e dar o filho herdeiro que Abraão
tanto desejava. Essa decisão se revelou um grande erro.
Erro porque revelou a fragilidade de
fé de ambos – e isso não é uma crítica, pelo contrário. Quantos de nós não
teria feito o mesmo ou talvez algo pior?
Erro porque Sara não levou em
consideração que, ao engravidar de seu amo, Agar poderia achar-se melhor que
sua senhora e desprezá-la por sua esterilidade. E foi exatamente isso que
aconteceu.
Erro porque, mesmo sendo filho de seu
pai com uma serva, Ismael também era herdeiro de Abraão e, na esfera humana,
tinha direito a tanto quanto qualquer outro filho que Abraão viesse a ter. Isso
certamente causaria uma divisão entre os herdeiros que viessem e foi exatamente
o que aconteceu. Até hoje os descentes de Ismael e Isaque brigam entre si.
Ismael deu origem ao povo árabe e Isaque deu origem ao povo de Israel.
Erro porque colocaram uma criança no
mundo num contexto de dor, frustração, inveja, angústia e essa criança
certamente não seria amada como deveria e isso, provavelmente, traria
consequências futuras.
Quantos erros podemos colher de uma
decisão impensada, leviana e impulsiva?
Quantas lágrimas podemos derramar
quando decidimos e agimos na certeza de que precisamos fazer algo além de orar,
entregar, esperar e confiar?
Quanto arrependimento podemos colher
quando semeamos rebeldia e autossuficiência?
Felizmente, para nossa vitória,
podemos sempre recorrer a Deus para nos ajudar a reverter as consequências de
nossos erros. É claro que não há como apagar algumas coisas como se elas jamais
tivessem acontecido. Na verdade, quanto mais grave for o erro, maiores serão as
consequências que teremos que administrar. Mas, sempre podemos contar com a
direção, a graça, o amor e o poder de Deus para nos ajudarem nessa missão. Deus
não nos poupa de respondermos pelas consequências dos nossos atos, mas passar
por isso podendo contar com seu auxílio e favor é, com certeza, muito melhor.
Mas, então, voltando a Abraão e Sara,
qual o milagre que pôde ser providenciado a partir do erro que eles cometeram
quando resolveram agir fora do tempo de Deus, apressando – ou achando que
poderiam apressar – o cumprimento da promessa de seus herdeiros?
Esse milagre pôde ser contemplado três
gerações depois!
Abrão foi pai de Ismael (seu
primogênito e filho de Agar) e Isaque, o filho da promessa de Deus. Isaque foi
pai de Esaú e Jacó. Jacó, que teve seu nome mudado por Deus para Israel, foi
pai de 12 filhos, sendo que os dois últimos – José e Benjamim, foram os únicos
que ele teve com Raquel, seu grande amor e que morreu ao dar a luz ao caçula.
Apesar de amar todos os seus filhos, Israel nunca escondera sua preferência
pelos filhos que teve com Raquel, principalmente por José.
O amor e a preferência de Israel por
José despertaram ódio e ressentimentos em seus outros filhos mais velhos.
Quando o jovem tinha dezessete anos, seu pai o envio para encontrar com seus
irmãos que haviam saído para pastorear ovelhas. De longe seus irmãos mais
velhos o viram e, juntos, planejaram matá-lo. Quando José se aproximou, seus
irmãos despiram-lhe da túnica longa e colorida que seu pai havia lhe dado de
presente e o lançaram em um poço vazio e sem água, até que decidissem sobre o
que fariam com ele.
Ao se assentarem para comer, passava
pelo local uma caravana de ismaelitas.
Foi então que Judá, um dos irmãos, convenceu os demais a venderem José como
escravo para os ismaelitas, ao invés
de o matarem.
Os ismaelitas, você já deve estar desconfiado, eram os descendentes de
Ismael, filho primogênito de Abraão e que fora concebido com consequência da desobediência
de Sarah, que resolveu “acelerar o processo” de ter um filho. É emocionante
acompanharmos o quanto o amor e o favor de Deus nos acompanham desde sempre. Um
erro, cometido três gerações atrás, é convertido em um livramento que seria
decisivo para o povo de Deus.
A saga de José, que por si só já renderia
uma outra mensagem, teve início a partir de sua venda como escravo aos ismaelitas,
esses o levaram para o Egito onde foi revendido como escravo para Potifar, oficial
que era capitão da guarda de faraó. Na sequência dos fatos, José foi acusado injustamente
por tentar violentar a mulher de Potifar e, por isso, foi enviado para uma
prisão onde ficavam os presos do rei.
Mas o Senhor sempre esteve com José e
na prisão ele teve a oportunidade de decifrar o significado dos sonhos de dois
servos diretos de faraó: o chefe dos padeiros e o chefe dos copeiros. Dois anos
depois, o chefe dos copeiros lembrou-se de José quando o faraó teve um sonho
que o deixou muito abalado e que ninguém consegui decifrar. José foi levado à
presença do governante do Egito e, em poucos segundos, sua sorte mudou completamente: ele tornou-se o segundo homem mais poderoso do Egito, a nação
mais poderosa daquele período.
E quando a fome veio e assolou toda a
terra por 7 anos, o povo de Deus só sobreviveu porque o Senhor havia levantado
José para ser o primeiro ministro sobre todo o império egípcio. Quando olhamos
para trás, vemos claramente que Deus transformou o erro de Sara em um livramento
que preservaria a existência do seu povo, muitos anos depois.
Assim, não importa qual o erro que você
tenha cometido. Você deverá arcar com as consequências, e talvez elas sejam assustadoras
num primeiro momento. Mas, você não está sozinho. Entregue sua vida ao Senhor,
aceite Jesus como Salvador da sua vida e creia que nosso Deus é grande e poderoso
o suficiente para transformar seu erro em milagre! Tão somente creia e tome posse
dessa palavra.
